0
download

As mais diversas mitologias fizeram com que o nosso mestre e amigo, J.R.R. Tolkien, permeasse suas obras com referências de vários tipos encontradas nos antigos mitos europeus. Apesar de ser pouco conhecido do público leigo, em seus livros temos lobisomens e vampiros, além de dragões e tantos outros seres baseados em criaturas pré-existentes que são usados quase como se fossem criação do professor. É claro que não foi sua intenção “roubar” essas ideias, mas apenas usar aquilo que já estava bem assentado nas lendas populares conhecidas, e também alguns elementos quase desconhecidos das lendas e sagas que tanta falta faziam a Inglaterra. Foi pensando nisso que separei alguns dos casos encontrados nas obras, a fim de que se possa notar as influências de Tolkien na criação de sua própria mitologia. Vamos começar falando das montarias dos Nazgûl. “A grande sombra desceu como uma nuvem. E, para a surpresa de todos, era uma criatura alada: se era um pássaro, então era maior que todos os outros pássaros, e era nu, sem penas ou plumas, e suas enormes asas eram como membranas de couro entre dedos de garras; e seu corpo fedia. Talvez fosse uma criatura de um mundo mais antigo, cuja espécie, sobrevivendo em montanhas esquecidas e frias sob a lua, perdurara alem de seus dias, e em ninhos hediondos criara esta ultima criatura, voltada para o mal. E o Senhor do Escuro a acolhera, alimentando-a com carnes nojentas, ate que crescesse além da medida de todos os seres voadores; depois deu-a de presente a seu servidor, para que fosse sua montaria.” (Cap. VI – A batalha dos campos de Pelennor) Assustador não é? Afinal, se já não bastasse cavaleiros com jeito de imortais, rápidos e assustadores, eles ainda montavam um fera malévola, fedida e sem penas? (e que com certeza tinha mau hálito também). Uma criatura fantástica conhecida como Wynvern, condiz em muito com a sucinta descrição apresentada em o Senhor dos Anéis. Trata-se de um dragão de duas patas e asas dianteiras semelhante a uma serpente voadora, cuja estrutura corporal era lisa, sem escamas ou penas. Eram conhecidos por serem perseguidores de tesouros e objetos mágicos, onde entendemos então o motivo no qual eles são a montaria dos perseguidores do um anel. Perdoem-me a qualidade das imagens, é que são de alguns livros bem antigos que tenho. Mas agora veremos o Guardião das Águas na entrada das minas de Moria, outro ser fantástico aparece nas águas defronte a secreta entrada, onde a comitiva se encontrava. “Os outros se voltaram e viram as águas do lago fervilhando, como se um exército de serpentes viesse nadando da extremidade sul. Um longo e sinuoso tentáculo tinha saído da água; era de um verde-claro, luminoso e úmido. A extremidade em forma de dedos prendera o pé de Frodo, e agora o arrastava para dentro da água. Sam, de joelhos, golpeava a garra com uma faca. O braço soltou Frodo, e Sam o puxou para fora, gritando por socorro. Vinte outros braços apareceram, avançando na direção dele e se agitando. A água escura fervia, e um cheiro medonho se espalhava no ar.” (O Senhor dos anéis Cap. IV: Uma jornada no escuro) Lógico que se ouve muito falar de tal criatura no cinema, em livros e em diversas fontes não confiáveis. Kraken, A serpente ou polvo gigante, provavelmente advinda das fábulas norueguesas, já que nos Eddas (Coletânea nórdica de textos em prosa), não existem menções de tal ser. Descrições advindas dos viajantes noruegueses relatam que a criatura possuía mais de cem tentáculos que faziam ferver as águas e que seu hálito era como de mil cadáveres. Mas temos também lobisomens e vampiros. Não preciso explicar tanto sobre estes seres, já que estão em voga (Sempre quis usar esta palavra). O cinema e diversos livros infanto-juvenis incluindo até mesmo estórias românticas (é esse filme aí mesmo que você lembrou), já fizeram questão de elucidar as características de tais criaturas. Lógico que na época do nosso querido professor eles não estavam tão em, digamos voga (não resisti, usei novamente).   Em fontes europeias vemos a presença influente da lenda do lobisomem, a mais conhecida, na qual o ser transforma-se durante um período de lua cheia e logo após retorna á sua forma natural. Mas as reais bases, a meu ver, advêm da mitologia grega, quando Zeus transforma Lição, rei da Arcádia em um lobo. Os Vampiros são um caso a parte não é? Nas lendas originais, pasmem, eram vistos apenas como mortos que saiam de seus túmulos para sugarem o sangue dos vivos (E não adolescentes fortes e com cabelos arrepiados beirando a puberdade). Essa lenda original foi altamente difundia na Rússia, Polônia, Europa central e Grécia. Acho que não precisarei colocar fotos nesse tópico, pois já são conhecidas um pouco de suas características. Fato é que até mesmo nas obras de Tolkien essas duas criaturas, estavam presentes: “Ora, Sauron bem conhecia, como todos naquela terra, o destino que estava determinado para o cão de Valinor, e lhe ocorreu que ele mesmo seria o instrumento desse destino. Assumiu, portanto, a forma de um lobisomem e se fez o mais poderoso que já havia pisado no mundo. E se apresentou para conquistar a passagem da ponte.” (O Silmarillion Cap. XIX, de Béren e Lúthien) E Huan o libertou. De imediato, Sauron assumiu a forma de um vampiro, imenso como uma nuvem escura que encobre a lua, fugiu, gotejando sangue da garganta sobre as árvores, e foi para a Taur-nu-Fuin, onde permaneceu, enchendo a região de horror. (O Silmarillion Cap. XIX, de Béren e Lúthien) E os lobos! Não podemos esquecer os wargs, são muito explorados nas obras de Tolkien. Para quem não sabe, são mais conhecidos por serem a montaria do exército do mal. Tolkien utilizou amplamente da etimologia das palavras vargr (a língua norueguesa antiga) e varg (o Sueco moderno) que é significação mais próxima de lobo. Advindo da mitologia Nórdica Fenrir, era o grande lobo guardião, temido até mesmo pelos deuses.   Lembram de Gwaihir? Muitos não sabem, mas este é o nome do Senhor das águias da terceira Era do mundo de Tolkien. Descendente direto da grande águia de Manwë dos tempos antigos, Thorondor. Suas referências são amplas e apesar de não tão conhecido teve papel fundamental para a sucessão de fatos na narrativa de O Senhor dos anéis. Na mitologia e literatura persa, existe um universo muito rico de simbolismo e significação em torno de uma ave fantástica: Simorgh. A ave possui linguagem humana e transporta heróis em grandes distâncias, servindo de confidente e mensageiro. Além de Simorgh existe outra variação da lenda: O Roca, ave das mil e uma noites, que é celebre na literatura européia da Idade Média. Os cruzados introduziram esta lenda, advinda do Oriente, onde tal pássaro é descrito com grande riqueza de detalhes. — Foi assim que, quando o verão terminava, veio uma noite enluarada, e Gwaihir, o Senhor do Vento, a mais rápida entre as Grandes Águias, chegou inesperadamente a Orthanc, encontrando-me no pináculo. Então falei com ele, que me carregou embora, antes que Saruman soubesse. Eu já estava longe de Isengard, quando os lobos e os orcs saíram pelo portão à minha procura. — Até onde pode me levar? – perguntei a Gwaihir. — Por muitas milhas – disse ele – mas não até o fim do mundo. Fui enviado para transportar notícias, não fardos. (O Senhor dos anéis: A sociedade do anel, Cap. II: O conselho de Elrond) Por fim e não menos importantes temos os nossos tão conhecidos, fabulosos, perigosos e mágicos dragões. No inicio Morgoth criou os grandes vermes: Os dragões. Foram quatro os principais. Glaurung, Ancalagon, Scatha e Smaug. Nas mais diversas lendas, os dragões aparecem como um antagonista, símbolo do mal e com tendências maléficas. São guardiões de tesouros secretos e devem ser mortos para tomar posse de tais riquezas. Em meu outro texto: Um conto de fadas para pequenos e grandes, Smaug é discutido com mais intensidade, até mesmo por conter elementos corriqueiramente presentes nas lendas e estórias mitológicas. Nos mitos do ocidentais o dragão guarda o Tosão de ouro (Pele de ouro de um carneiro alado muito precioso, descrito na mitologia grega) e o jardim das Hespérides (a Morada das ninfas).   Já no oriente, Num conto chinês da dinastia T’ang, um dragão guarda a grande Pérola. Na lenda Siegfried (herói lendário da mitologia nórdica) o tesouro guardado pelo dragão é a imortalidade. Não é necessário fazer nenhuma citação contendo dragões nas obras de Tolkien, já que estes são recorrentes nas obras do professor, onde são antagonistas por vezes muito sábios, eloquentes e estrategistas. O fato, é que Tolkien teve uma extensa base para suas criações, onde explorou muito bem em suas obras. Lendas, estórias e mitos: Bases fictícias para a verdade do universo Tolkieniano.

Written by | Diego Silva

Diretor da Medieval and Mythology, Teólogo por formação e Mitologista por paixão.

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>