Rusalka_by_AnaKarniolska

A mitologia eslava conta sobre a existência de ninfas sedutoras das águas , conhecidas por seu maravilhoso canto e nomeadas Rusalkas. É possível que na origem tenham sido espíritos de fertilidade associados a certos lagos e ao poder vivificante da água. Mais tarde, porém, tornaram-se as almas de meninas ou jovens mulheres que se afogaram, intencionalmente ou não.  Vivem nos fundos de lagos e rios, saindo apenas à noite, quando o luar ilumina a floresta, para divertirem-se explorando o ambiente à sua volta. Frequentemente confundidas com as ninfas, sereias, fadas e banshees, as Rusalkas são conhecidas pelo seu canto envolvente e sedutor; seus olhos são escuros e profundos, podendo adquirir cor e brilho verdes dependendo da região onde o mito é narrado; seu corpo é desenhado e esculpido com cintura fina e curvas avantajadas e são retratadas nuas. Também ficou caracterizada por ter cabelos verdes ou dourados, sempre molhados, e pele pálida e translúcida. Em determinadas regiões, as Rusalkas assombram os lugares em que morreram e atraem viajantes e camponeses com suas vozes ou banquetes de frutas, para enfim afogá-los. Há também lendas que dizem que elas podem ter surgido dos bebês morridos sem batismo, que foram afogados por suas mães solteiras, eles então ficam chorando pelos bosques em busca de paz. As Rusalkas podem arruinar colheitas, tal como agraciá-las; podem rasgar redes de pesca da mesma forma que podem enchê-las com peixes; podem destruir represas assim como purificar rios. Existe um dia dedicado apenas às Rusalkas, na Ucrânia, onde a população ribeirinha não trabalha para não atormentá-las, pois os espíritos estão ainda mais aflorados. É uma quinta-feira conhecida como Velykden, em que muitas meninas vão aos rios secretamente para entregar presentes – grinaldas artesanais, absinto e alho – e realizar rituais para perguntar aos espíritos sobre seu futuro amado. A partir desse dia, as meninas que prestaram oferenda não devem nadar até o verão, pois podem ser afogadas por um espirito e unir-se às Rusalkas.

Written by | Thais Ramos

Livros, café, poesia, mitologia e história. Sou tão bagunçada quanto meu cabelo.