Game de ação em terceira pessoa terá trama que antecede os eventos de “Senhor dos Anéis”.

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Poucos autores literários foram tão profundos e completos em suas obras quanto J.R.R Tolkien. Arda, o mundo de o “Senhor dos Anéis” e de “O Hobbit”, é descrito com muitos detalhes e riqueza, em obras (acabadas e inacabadas) que vão muito além dos livros transformados em filmes pelo diretor Peter Jackson. Toda essa informação poderia ser usada, por exemplo, para criar novas histórias que tivessem a Terra-Média como pano de fundo, algo que durante anos foi evitado pela família do falecido escritor. Mas desde que a Sony Pictures adquiriu os direitos das obras de Tolkien, certas liberdades passaram a ser tomadas. “Middle-Earth: Shadow of Mordor” talvez seja a maior delas. O que pode ser ótimo, ou pode ser péssimo. “Shadow of Mordor” se passa entre os eventos de “O Hobbit”, e “O Senhor dos Anéis”, durante o reaparecimento de Sauron e sua retomada de Mordor. Uma Mordor muito diferente da que nos acostumamos a ver em “O Senhor dos Anéis”, ainda não tocada pela sombra de Sauron. Lá, grupos de homens de Gondor guardam as fronteiras do reino em Morannon, o Portão Negro. Por dois mil anos, tudo corria bem, até que… O Sauron vem aí e o bicho vai pegar Talion é um desses guardiões, um soldado simples, sem nenhuma ligação com a realeza. Após uma vida inteira de calmaria, ele, e tantos outros, são surpreendidos quando os exércitos do Senhor do Escuro invadem Mordor. Muitos são mortos. Talion é um deles. Antes de ser assassinado, Talion é obrigado a assistir ao assassinato de sua mulher, seu filho e seu mentor. Depois de morto, Talion ressuscita, sem entender exatamente porque, graças ao poder de um espectro que passa a dividir o corpo do guardião. Com a possessão, Talion agora é imortal e ganha uma série de poderes especiais. A identidade do espectro e seus objetivos são misteriosos. Se seus poderes ajudam a combater os servos de Sauron, parece óbvio imaginar que a entidade é “do bem”, mas, como ensinam as obras de Tolkien, o Bem e o Mal dividem espaço dentro de cada um. Ainda que cheio de poderes, Talion é apenas um contra todo o exército de Sauron. Isso significa que ele não pode simplesmente sacar sua espada e sair decapitando orcs. Às vezes, é preciso agir de forma planejada, cautelosa, se movendo pelas sombras, como um assassino.

Qualquer semelhança…

Não só o herói, mas toda interface de “Shadow of Mordor”, um jogo de aventura em terceira pessoa, lembra muito a série “Assassin’s Creed”. Os próprios poderes de espectro, ao menos visualmente, são idênticos a “Visão de Águia” da série da Ubisoft. Os combates também trazem muita semelhança com “Assassin’s”.

Ainda assim, reduzir “Shadow of Mordor” a uma cópia barata de outro game consagrado seria leviano. O jogo traz, sim, novidades promissoras. A maior delas é o revolucionário Nemesis System, que dá um pano de fundo rico a diversos inimigos de Talion.

O sistema cria um organograma dos exércitos de Mordor, com orcs e goblins recebendo patentes diversas, características de combate únicas e objetivos e propósitos exclusivos. Conforme Talion vai encontrando com eles durante o jogo, esses NPCs vão se tornando inimigos ou arqui-inimigos com histórias próprias.

No trailer que apresenta o Nemesis System, a Monolith nos mostra dois vilões: Ratbag e Orthog. Os dois já cruzaram espadas com Talion e saíram vivos do duelo. Ratbag, que antes era um soldado raso, ganhou respeito após o combate e foi promovido. Orthog, que já tinha patente alta (respeita o moço), sofreu uma queimadura no rosto na luta contra Talion e jurou vingança. Talion, então, persegue Ratbag e usa seus poderes de espectro para convencê-lo a tentar assassinar Orthog. Como Orthog é muito mais poderoso, é ele quem derrota Ratbag, mas não sem antes sofrer um ferimento grave. Enfraquecido, Orthog se torna uma presa muito mais fácil para o guardião humano. O interessante é que, em cada encontro, os inimigos de Talion lembram dele e fazem referência aos duelos passados. E as decisões sobre quem atacar, como atacar e o que fazer após o ataque são muito amplas e influenciam diretamente no desenrolar do jogo, o quê, na prática, deve significar uma série de experiências diferentes a cada playthrough do jogo. A expectativa só aumenta ao saber que o roteiro do jogo está sob a responsabilidade de Christian Cantamessa, o mesmo de “Red Dead Redemption”. E os mais céticos fãs de Tolkien podem ficar mais tranquilos, pois nenhum detalhe da história é aprovado sem passar por um grupo de estudiosos do universo literário tolkieniano. Um diretor para a todos governar O time de estrelas envolvidas no projeto conta com o suporte de ninguém mais, ninguém menos que o próprio Peter Jackson, diretor das trilogias “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis” no cinema. Jackson atua como uma espécie de consultor, sempre reiterando uma recomendação à equipe da Monolith: “Façam um jogo, não um filme”. Além de Jackson, a Weta Workshop, estúdio responsável pelos objetos, cenários e efeitos especiais de “O Senhor dos Anéis” e de “O Hobbit”, tem trabalhado de forma muito próxima à Monolith, para garantir que “Shadow of Mordor” remeta ao máximo à Terra-Média apresentada nos cinemas. Ainda sem data de lançamento, “Middle-Earth: Shadow of Mordor” será lançado para PC, Xbox One e PS4. Versões de PS3 e Xbox 360 também chegarão às lojas, mas com certas limitações, como a ausência do Nemesis System.

Written by | Ravnuslock

Desenvolvedor criativo, designer gráfico, ilustrador 2D e filho de Odin

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