As Culturas da América do Norte.
A Grande Bacia (Great Basin) e a Meseta constituem um imenso território do oeste dos Estados Unidos, caracterizado ambientalmente por dispor de uma drenagem interna e pela aridez que se origina da escassez do regime de chuvas. O resultado desta situação ecológica é uma dedicação orientada à coleta e à caça. É precisamente nesta área que foi identificada pela primeira vez a Tradição Cultural do Deserto, iniciada no período Arcaico (7.500 a.C.), resultado de um claro êxito adaptativo, a julgar por sua permanência temporal e por sua expansão até os territórios da América Central.
Com a retração dos gelos, a região tornou-se árida e seca, fazendo com que seus habitantes se especializassem na coleta de sementes, raízes, bagas e frutos silvestres, além da caça de veados, coelhos e uma rica variedade de roedores. O instrumental utilizado por estas comunidades seminômades era escasso, fundamentado em pontas de dardo, pedras e mós de pilão e numa ampla variedade de trabalhos em cestaria, muito adaptados à mobilidade sazonal deste sistema de subsistência.
Esta evolução, caracterizada por sua continuidade, foi altarada apenas quando da intrusão Fremont, originada pela presença de agricultores Anasazi que se estabeleceram em volta do lago salgado – Salt Lake – em Utah. Orientada de norte a sul, a Área Cultural do Noroeste é uma região é uma região paralela à costa do Pacífico, delimitada a leste por uma linha de montanhas que lhe conferem um clima temperado. O território foi ocupado talvez desde 10.000 a.C. por comunidades especializadas em caça e coleta. Pelo menos desde 3.000 a.C. diversos assentamentos subsistem da coleta de moluscos, deixando como registro arqueológico imensos montículos de dejetos denominados concheiros. Mais tarde, as comunidades estabelecidas na região começaram a especializar-se na pesca marinha e fluvial e na coleta, organizando densos assentamentos, em comunidades com uma liderança complexa, nas quais pode-se identificar uma estratificação social bastante sofisticada desde 500 d.C. Esta hierarquização é claramente constatada pelo registro arqueológico, no qual aparecem cachimbos, braceletes, pulseiras e outros objetos de prestígio elaborados em concha, osso e cobre.
Porém, sem dúvida, o meio fundamental de expressão artística foi a madeira, com a qual os diversos grupos estabelecidos no Noroeste construíram suas casas e instrumentos de trabalho, como as grandes canoas; e também objetos utilitários – colheres, pentes, machados – e, sobretudo, manifestações de natureza ritual, especialmente máscaras, caixas e tótens, cuja manufatura especializada constitui um claro indicador da estratificação da sociedade.

Written by | Marcelo Dantas

20 anos, criador de conteúdos e casado com a mulher mais perfeita do mundo.